quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A Floresta Estática e o Bosque das Conchas

Alguns livros falam da Floresta Estática. A maioria a trata como um lugar real. Diversos autores descrevem e discorrem sobre o local, cada um a sua maneira e cada um do seu jeito. A verdade é que nem um deles jamais esteve lá, apenas imaginam como seria. Lembre-se: o que está descrito aqui é apenas mais uma versão que eu, como muitos autores, afirmo ser a verdadeira.
A Floresta Estática existe desde sempre, e sempre continuará assim. Tudo lá é estático, imóvel. O dia não troca de lugar com a noite. Os insetos não respiram nem se mexem. As árvores não crescem e seus galhos não dançam ao som do vento, pois o vento lá é calado e parado. As folhas das árvores não caem, nem mesmo as que já estão na metade do caminho, entre o galho e o chão. O gelo não derrete e o fogo não crepita. Até mesmo os sonhos são imóveis, estáticos. Ninguém nunca entrou ou saiu de lá, e por isso ninguém tem como saber algo do lugar.
Vizinho a essa floresta está o Bosque das Conchas. Desse lugar vale a pena falar, pois lá todas as flores florescem, morrem e voltam a florescer. O dia está sempre em competição com a noite, pois ambos querem estar lá, e isso faz com que, tanto o dia quanto a noite, sejam muito curtos. O gelo de um segundo para outro vira um oceano, enquanto no instante seguinte já foi evaporado pelo fogo que logo se extingue. As coisas acontecem muito rápido lá. O que está para cair, cai muito depressa, quase instantaneamente. O lugar é chamado de Bosque das Conchas pois numa determinada época do ano o solo fica cheio de conchas, conchas de todos os tipos, tamanhos e cores. Cores que só podem ser encontradas lá. Ninguém sabe o porquê das conchas, mas todos adoram e acham muito bonito. E, numa outra época do ano, as conchas somem e o Bosque volta a ser um bosque. Os sonhos vêm e vão muito depressa. Um espetáculo lindo de ser sentido, mas impossível de ser entendido. E lá, nesse lugar, nunca nada aconteceu.